Concertos de Brandenburgo – J S BACH

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Johann Sebastian Bach    

Johann Sebastian Bach compôs os Concertos de Brandenburgo durante os anos de 1718-21, no apogeu de sua carreira como mestre-capela em Cöthen, ou seja, como dirigente das atividades musicais da corte. Estas seis obras foram reunidas em uma partitura autógrafa que Bach enviou em 24 de março de 1721 ao Margrave (prefeito) Christian Ludwig de Brandenburbo (o filho mais moço do “Grande Eleitor” Frederick Wilhelm), que empregava uma pequena orquestra em Berlim. Esta coletânea, que agora está na biblioteca Alemã do Estado, em Berlim oriental traz o título: “Seis Concertos / Com diversos instrumentos / Dedicados/ a Sua alteza Real / Senhor / Christian Ludwig / Margraf de Brandenburgo etc. etc. etc. / por / seu muito humilde e muito obediente servidor / Johann Sebastian Bach / Mestre de Capela de S.A.S. o Príncipe reinate de Anhalt-Coethen”.

O nome “Concertos de Brandenburgo” foi dado a estas obras pelo erudito em Bach, Phillip Spitta, e o uso a partir da[i se tornou universal.   Havia fortes laços entre as cortes de Cöthen e de Berlim. O amante da arte, Príncipe Leopold de Anhalt-Cöthen, que empregara Bach, frequentara a Titterkademie em Berlim de 1707 a 1710 e durante esse período estabelecera contatos com músicos de Berlim.

Quando ele se integrou na posse de sua herança em Cöthem em 1715, ampliou a atividade musical ali em parte contratando músicos de Berlim, alguns deles virtuosos camerísticos altamente competentes, que haviam ficado sem trabalho em 1713 quando o rei Frederico Guilherme I dissolvera a orquesra da corte prussiana alegando razões econômicas.

Entre os que passaram a fazer parte da orquestra da corte em Cöthen, sob a direção de Bach, estavam o trompetista Johann Luewig Schreiber, os flautistas Johann Heinrich Freytag e Johann Gottlieb Wurdig, o oboísta Ludwig Johann Ludwig Rose, o fagotista Johann Christoph Torlén, os violinistas Joseph Spies e Martin Friedrich Marcus, o gambista Christian Ferdinand Abel e o violoncelista Christian Bernhard Linigke.   O próprio príncipe tocava a viola-da-gamba, e claramente ele assumiu a parte de viola no Sexto Concerto, que não é de grande dificuldade. O pessoal conhecido da orquestra de Cöthen correspondem muito de perto ás exigências dos Concertos de Brandenburgo; por exemplo, a ausência de uma parte de segundo violino no Quinto Concerto pode ser explicado pelo fato de que Bach, eu geralmente tocava a viola quando regia a orquestra, neste caso tocava o solo de cravo, tendo o segundo violinista Marcus de tocar a viola em seu lugar.

Os Concertos de Brandenburgo eram, portanto, certamente ouvidos em Cöthen, mas é duvidoso que teria sido possível para a pequena orquestra do Margrave Christian Ludwig tocá-los em Berlim. Bach provavelmente recebeu a encomenda de compô-los no final de 1718, quando visitou Berlim para adquirir um novo cravo para a corte de Cöthen. (Ele procurou demonstrar da melhor maneira possível esse instrumento no Quinto Concerto, ampliando o que originalmente fora uma cadenza mais curta para uma longa e virtuosística cadenza com a qual estamos familiarizados.

É possível que o Sexto Concerto tenha sido o primeiro a ser composto, e que ele o tivesse levado consigo em sua visita a Berlim e ele tivesse provocado a encomenda dos demais, embora três anos se tivessem passado antes que Bach fornecesse as obras prometidas. Durante o período ele compôs cantatas seculares, o Clavierbüchlein (Pequeno Livro para Teclado) para seu filho Wilhelm Friedemann Bach, as sonatas e partitas para violino solo e as seis suítes para violoncelo solo, provavelmente para o virtuoso Christian Ferdinand Abel; ele também começou a trabalhar no Wohltemperierte Clavieri (O Cravo Bem-Temperado), no Clavierbüchlein (Pequeno Livro para Teclado), para sua segunda mulher Anna Magdalena Bach, e nas invenções a duas e a três vozes. Foi um tempo feliz para Bach, no qual ele teve a possibilidade de estender livremente sua imaginação como músico.

Os Concertos de Brandenburgo não foram, como as sonatas e as suítes para solo ou o Cravo Bem-Temperado, compostos como um grupo. Nem, como esta última obra mencionada, ou à maneira da Oferenda Musical, ou ainda como A Arte da Fuga, representam música de erudição”. Podem ser descritos como entretenimento musical de corte do mais alto nível e foram reunidos por Bach dentre as obras orquestradas que ele compões entre 1718 e 1720. Desse corpo substancial de música ele foi capaz de selecionar números adequados para os concertos que dirigia na corte e  também continuou em anos seguintes a aproveitar esse material: muitos movimentos dos concertos que ele compôs em Cöthen foram reescritos e incluídos em cantatas e concertos de que ele precisou tempos mais tarde em Leipzig. Alguns de seus alunos e o Prefeito da congregação em Santo Tomás, Christian Friedrich Penzel, também fizeram uso desse rico material após morte de Bach, tirando cópias das partituras que em certos casos evidentemente predatavam o exemplar da dedicatória enviado ao Margrave de Brandenburgo.

Proeminentes entre as características composicionais destes concertos é seu amálgama e desenvolvimento dos elementos estilísticos derivados da música italiana (Vivaldi) e francesa então em moda. Como musicista de visão universal, Bach constantemente procurou se manter a par da evolução no mundo internacional da música; mesmo durante os anos em que foi chantre em Sto Tomás, em Leipzig.   Frequentemente esteve presente às execuções de ópera italiana na corte de Drésden. A influência da técnica da escrita de concerto de Vivaldi é especialmente evidente no tratamento que Bach confere ao conjunto de cordas nos Concertos de Brandenburgo. Vários estágios na evolução das técnicas de composição do próprio Bach se encontram também representados aqui: primeiro, o “grupo de concerto” originado na prática da música em conjunto na corte de Cöthen (Terceiro e Sexto Concertos), em segundo lugar, obras em que a ênfase maior é posta na virtuosidade, o que claramente assinalava contrastes entre as seções de solos e de tutti (o segundo Allegro do Primeiro Concerto, e o quarto e Quinto Concertos), e finalmente uma espécie de música de câmara com um instrumento de teclado obbligato, assumindo aqui o cravo um papel solista de liderança peça primeira vez na história da música (versão final do Quinto Concerto).

Os seis Concertos formam um ciclo lógico em virtude do fato de serem todos diferentemente instrumentados e demonstrarem um exploração sistemática dos diversos efeitos sonoros capazes de serem produzidos pela orquestra.   O Primeiro Concerto em fá maior foi escrito para alguma ocasião festiva (não temos informação sobre a sua natureza), para a qual trompas de caça (o corni da caccia) e oboés foram acrescentados á orquestra de Cöthen.

Detlef Gojowey

(tradução: John Coombs)

Fonte: CD Archiv Produktion 410 500-2

THE ENGLISH CONCERT Com Instrumentos de Época

Dirigido do cravo por: TREVOR PINNOCK   (continua…)

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About Nelson Nalini

Estudante dos Ensinamentos dos Mestres Ascensos da Grande Fraternidade Branca / Summit Lighthouse / Summit Lighthouse do Brasil / Fraternidade dos Guardiães da Chama. http://www.guardiaesdachama.com.br/

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Ex-Secretário de Estado da Educação e Ex-Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Ex-Presidente e Imortal da Academia Paulista de Letras. Membro da Academia Brasileira de Educação. Atual Reitor da UniRegistral. Palestrante e conferencista. Professor Universitário. Autor de dezenas de Livros: “Ética da Magistratura”, “A Rebelião da Toga”, “Ética Ambiental”, entre outros títulos.

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